"É a sina do nordestino. Passa dia e ano e o ciclo da estiagem, da seca, como se costuma dizer, volta como fantasma a povoar de medo o sonho do povo simples. Não há pior notícia para essa gente sofrida, do que olhar para o céu e não ver uma nuvem, um relâmpago, mas apenas o azul infinito e o sol escaldante.
É aí que toda a esperança, marca maior do povo do sertão, começa a definhar e seu sonho de dias melhores, de um ano bom de “inverno”, como respostas as suas preces, parece ser adiado, pela ausência de chuvas.
Infelizmente, esse ano se mostra não ser diferente de muitos que deixaram nosso povo triste. Sem chuva na terra, tudo fica mais difícil, pois não só o homem sofre, mas os “bichos”, carinhosamente como se costuma chamar os animais, o boi, a galhinha, o cabrito, o cavalo e até o já esquecido jumento.
Ah,... Os bichos... São os que mais sofrem com os horrores da seca. O pasto se torna escasso em todos os lugares e não resta opção de sobrevivência e aos poucos, esqueletos vão aparecendo na paisagem árida e hostil do Sertão. Uma cena desoladora...
O homem, em si, até que não sofre tanto, como em outros tempos, graças aos programas sociais do governo federal. Mas isso só não basta. A economia da região ainda é baseada em grande parte na agricultura familiar. É no plantio e no cultivo da terra que o nordestino ainda encontra sua identidade e se sente forte, vendo a roça florir para encher a casa, como se costumava dizer, com orgulho de ver o fruto de seu trabalho, como muitos poetas cantaram, “ e a meninada crescendo e alegrando o sertanejo”.
Mas, infelizmente, o ano de 2012 parece não ter vindo com essa sorte... Já estamos em maio e o tão esperado inverno ainda não disse a que veio. Escondeu-se na serra ou desviou-se todo para o sul e sudeste. Lá as chuvas causaram grandes estragos, inclusive com mortes de quase uma centena de pessoas."
Fonte: STTR de Acopiara
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